quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A ARTE E SUA IMPORTÂNCIA NA EDUCAÇÃO

Historicamente, tem se procurado compreender as razões pelas quais o homem expressa sua necessidade ao deixar marcas, ao registrar, em forma de arte, o seu modo de ver o mundo, demonstrando, por meio dela, a importância da expressão artística como fator essencial do desenvolvimento humano.
A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394), aprovada em 20 de dezembro de 1996, estabelece em seu artigo 26 parágrafo 2º: O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.
Com certa freqüência, surgem indagações: por que arte na escola e para que serve? Antes de prosseguir em busca de respostas, deve-se considerar que a Arte é, acima de tudo conhecimento e formas de expressão humana.
A comunicação por meio do registro gráfico é datada do período pré-histórico, ou seja, muito tempo antes da invenção da escrita. Observe-se que o homem sempre se utilizou da arte para expressar-se das mais diferentes formas, seja ate mesmo nas paredes das cavernas. Para isso o homem utilizou-se de recursos naturais para registrar o seu cotidiano, sua organização social. Da mesma maneira a evolução humana continuou e continua manifestando por intermédio das diferentes formas de expressão a sua maneira de perceber o mundo.
A IMPORTÂNCIA DA EXPRESSÃO ARTÍSTICA COMO FORMA DE CONHECIMENTO
Podemos também ressaltar a importância da arte para a criança, que, ate dominar a escrita, a utiliza como principal fonte de expressão. Independentemente da cultura, a criança traz traços comuns de expressão, toda criança gosta de cores, dá forma a objetos, gosta de dançar, cantar, encenar. Portanto o universo infantil é rico em expressão. Infelizmente por falta de estimulo no âmbito escolar, geralmente a criança acaba por substituir em grande parte a linguagem artística, principalmente a gráfica pela escrita. Não que isso seja natural, e sim pela falta de estimulo por parte de muitos professores, que por não conhecerem a sua importância priorizam outros conhecimentos, deixando a expressão artística em segundo plano. A inclusão da disciplina de Arte na estrutura curricular é percebida como área com conteúdos próprios ligados á cultura artística e não apenas a atividade.
Segundo Martins A arte é importante na escola, principalmente porque é importante fora dela. Por ser um conhecimento construído pelo homem através dos tempos, a arte é um patrimônio cultural da humanidade e todos ser humano tem direito ao acesso a esse saber. A autora continua: ”Ensinar arte significa articular três campos conceituais: a criação/produção, a percepção/análise e o conhecimento da produção artísitico-estética da humanidade, compreendendo-a histórica e culturalmente” esses três campos conceituais estão presentes nos PCN-Arte e são denominados, respectivamente, produção, fruição e reflexão.
Portanto a concepção da arte como forma de conhecimento sinaliza para que a prática pedagógica em Arte possa conceber as produções realizadas pelos alunos como resultado de um processo de produção do conhecimento artístico, da referencia cultural que cada sujeito acumulou no decorrer da sua vida, reforçados por novos conhecimentos apreendidos durante as aulas, sem perder a dimensão do fator criatividade. Ressalta que o trabalho artístico precisa ser concebido como resultado de um processo, por meio do qual as capacidades e as necessidades humanas objetivam a concepção de produtos concretos e sensíveis.
Argumenta Max: Todo trabalho é, por natureza, criador, na medida em que o fundamento do trabalho reside na natureza criadora e transformadora do homem, ou seja, na medida em que, para se apropriar do real, em suas múltiplas dimensões, o homem tem de transformá-lo, recriando-o e recriando-se...o trabalho aparece como processo através do qual a capacidade e necessidades humanas diferenciadas e históricas objetivam-se em produtos concretos e sensíveis. [...] o trabalho se assemelha á arte tanto mais quanto mais livre for, ora na sociedade capitalista, pelo contrário, luta-se por assemelhar a arte ao trabalho, mas entendido este não como trabalho criador. O paradoxo encontra-se presente na sociedade capitalista, mais especificamente na sua luta por assemelhar a arte ao trabalho, mas não ao trabalho criador e, sim, aquele repetitivo, mecanizado. Para Santaella (1990. p99), nos produtos artísticos potencializam-se determinações especificas, singulares, em que imperam o qualitativo e o peculiar.
Por sua vez argumenta Fischer (apud BARBOSA, 1999, p.45) Milhões de pessoas lêem livros, ouvem música, vão ao cinema. Por quê? Dizer que procuram distração, divertimento, relaxação, é não resolver o problema. Por que distrai, diverte e relaxa o mergulhar nos problemas e na vida dos outros, o identificar-se com uma pintura ou música, o identificar-se com tipos de um romance, de uma peça ou filme? Por que distraímos em face dessas “irrealidades” como se fossem a realidade intensificada? Que estranho misterioso divertimento é esse? E se alguém nos responde que almejamos escapar de uma existência insatisfatória para uma existência mais rica através de uma experiência sem riscos, então, uma nova pergunta se apresenta: por que nossa própria existência não nos basta? Por que esse desejo de completar a nossa vida incompleta através de outras figuras e de outras formas? Por que, da penumbra do auditório, fixamos nosso olhar admirado em um palco iluminado, onde acontece algo que é fictício e que tão completamente absorve nossa atenção?
É claro que o homem quer ser mais do que ele mesmo. quer ser um homem total.não lhe basta ser um individuo separado; a alem da parcialidade da sua vida individual, anseia uma plenitude que sente e tenta alcançar, uma plenitude de vida que lhe é fraudada pela individualidade e todas as suas limitações, uma plenitude na direção do qual se orienta quando busca um mundo mais compreensível e mais justo, um mundo que tenha significação. Assim, a comunicação entre as pessoas e as leituras de mundo não se dão apenas por meio da palavra, mas também por outras formas de linguagem. Como ser expressivo, o homem necessitou deixar sua marca: representou seu cotidiano nas paredes das cavernas, manipulou, além de cores, formas e gestos, os sons, o silencio, movimentos etc., com a intenção de dar sentido a algo. Assim foi se comunicando e aperfeiçoando suas técnicas, que passam de geração em geração, dando continuidade ás mais diferentes manifestações artísticas no decorrer dos tempos. Sabe-se que a arte e a educação sempre estiveram presentes na cultura de cada povo. De acordo com Duarte Junior (2000), o mundo humano tem na linguagem o seu instrumento básico de ordenação e significação; nota-se que a linguagem é um fenômeno essencialmente social, produto não de um individuo isolado, mas de comunidades inteiras.
A arte assume, nesse contexto, a posição de um veículo de linguagem, em que se aprende a ordenar o mundo numa estrutura significativa e, por seu intermédio, dela se adquirem as verdades da comunidade em que se vive. Pode se considerar que o inicio do movimento simbólico reside no ato em que a criança espontaneamente, encorajada, é capaz de transformar, no seu imaginário, um pedaço de madeira em um avião, ou seja, o faz-de-conta passa a fazer parte da vida daquela criança, criando um mundo simbólico próprio. É nessa perspectiva que o ensino da Arte precisa pautar-se, assegurando o seu papel como disciplina autônoma e necessária na educação.
A linguagem verbal é um sistema simbólico fundamental, mas já sabemos que não é único. Outros são igualmente importantes. Se a escola valoriza apenas o sistema de linguagem oral ou escrita, não dará oportunidade para a realização de experiências que podem ampliar a competência simbólica. A arte tem um papel prioritário no exercício dessa competência. Assim sendo, no âmbito da educação artística no Brasil, há de se considerar que as teorias sobre arte, em especial as do velho mundo, sempre estiveram atreladas á noção do “dom”, conseqüentemente excluindo os demais indivíduos e tornando a arte elitizada. Por muito tempo permaneceu a concepção de que havia os iluminados para exercer a profissão de artista. A quebra desse paradigma teve seus primeiros reflexos com o advento do Iluminismo na Europa, quando se passou a discutir a necessidade da introdução do ensino da Arte na escola como disciplina curricular. O conceito de desenho como representação de um determinado objeto, ou mesmo a sua idealização, possui origens na civilização clássica. A retomada, pela idade moderna, dos padrões clássicos, revalorizou o pensamento neoclássico a corrente estética que valorizou o belo, em meio à revolução Francesa, constituiu-e dessa forma num modelo idealizado a ser seguido. Considerado como modelo clássico de arte, o desenho foi introduzido na educação brasileira pela Missão Artística Francesa em 1816 e, conseqüentemente, implantado como forma educativa pelas escolas tradicionais. O método consistia em árduas tarefas de repetição de modelos, visando á perfeição na representação da forma, ao passo que as questões relativas ao processo de criação destinavam-se aqueles que possuíssem “dom artístico”. A definição do desenho como linguagem abre espaço para torná-lo acessível como instrumento de conhecimento dos diferentes povos, pelo fato de oferecer inúmeras possibilidades como meio de expressão e comunicação. Infelizmente, o conceito de desenho em nossa cultura esta atrelada apenas ao lápis e ao papel e serve para explicar algo ou descontrair. O conceito de desenho segundo Derdyk (1989, p.22) está na importância da compreensão histórica como significação mais ampla do que um simples manuseio de lápis sobe o papel, seja ele no significado mágico que o desenho assumiu para o homem pré-histórico seja no desenvolvimento e construção de maquinas na era industrial ou na atualidade devido a sua importância e capacidade de abrangência como meio de comunicação e expressão e conhecimento.
A concepção de desenho como forma de conhecimento abre espaço para a firmação de que tudo o que nos rodeia é desenho: da paisagem natural á paisagem cultural que o homem inventou e construiu a roupa que vestimos, ou os objetos que nos rodeiam. Nessa perspectiva, o desenho passa a ser parte integrante do cotidiano dos sujeitos, tornando outras conotações que fogem á função do apenas representar o real, para tornar-se instrumento de comunicação e expressão. Na aproximação do conceito de desenho da realidade cotidiana, verifica-se que o desenho participa do projeto social, representando os interesses de uma determinada cultura, já desenvolvida ou em desenvolvimento, assim como permite afirmar que o desenho, num sentido mais amplo, está presente nas mais derivadas situações do convívio social. Dessa forma, faz-se necessário educar nosso modo de ver e observar, transformando-o em consciência da nossa participação em meio á realidade cotidiana. Para Fusari (1993, p.74) “ver significa essencialmente conhecer, perceber pela visão, alcançar com a vista os seres, as coisas e as formas do mundo ao redor”
Berger contribui: [...] ver precede as palavras. A criança olha e reconhece, antes mesmo de poder falar. Mas existe ainda outro sentido no qual ver precede as palavras: o ato de ver que estabelece nosso lugar no mundo circundante. Explicamos esse mundo com palavras, mas as palavras nunca poderão desfazer o fato de estarmos por ele circundados. Reafirma-se cada vez mais a importância do ensino da Arte como fator cultural capaz de contribuir para a educação. Segundo Severino “A educação é, pois o conjunto de processos destinados a levar os indivíduos a desenvolver essa dimensão de sua atividade. Tornando-os aptos a produzir os bens culturais já produzidos” assim sendo, a educação brasileira vai paulatinamente se estruturando avançando e recuando á procura da sua consolidação.
Referências bibliográficas
BARBOSA, Ana Mae. Arte-Educação no Brasil. São Paulo: Perspectiva; 1999.
BERGER, Jonh. Modos de ver. Rio de Janeiro: Rocco; 1999.
DUARTE JUNIOR, JOÃO Francisco. Porque Arte-Educação? Campinas: Papirus 10. ed.2000
DERDYK, Edith. Formas de pensar o desenho. São Paulo: Scipione, 1989.
FUSARI, Maria f. de Rezende. Et.al. Arte na educação escolar. São Paulo: Cortez. 3 ed. 1993
MARTINS, Mirian Celeste, Didática do ensino de arte poetizar fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 1998.
SANTAELLA, Lucia, Arte e Cultura: equívocos do elitismo, 2,ed.Rio de janeiro:Cortez,1990
SEVERINO, Antonio Joaquim. Filosofia da educação. São Paulo: FTD; 1994

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